segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Impotência ou submissão?



Talvez a impotência nos leve a submissão, uma submissão forçada.
 Gostar de alguém não é gostar de algo, pois a pessoa não é seu objeto.
E mante-lá  ao alcance das suas mãos dará uma falsa ilusão de poder que resultará numa falsa autoestima e provável infelicidade.
                            
Certo duende teve momentos  de delírios amorosos com  um fauno, mas infelizmente esses momentos acabaram, os dois não davam certo, acharam melhor serem amigos.

Porém um belo dia uma ninfa sentiu se atraída por esse fauno, e este fauno demonstrava não ser alheio aos seus soturnos olhares.

Eles tinham coisas boas em comum, gostavam de correr totalmente nus pelos campos, de velejar pela Costa da Grécia e a ninfa adorava ouvir o fauno tocar a  sua flauta doce.
Pois assim que ele partia, ela poderia sentir os lábios dele quando fosse tocar.

Ela queria envolve-lo em seus braços, cantar uma canção de ninar, aninhá-lo, amá-lo! De todas as maneiras carinhosas possíveis.

Mas ela não podia...

A ninfa sabia que o duende ainda o espionava as escondidas, que ainda sentia a falta do fauno, mesmo ela negando piamente que eram apenas amigos, e que não sentia absolutamente nada.

Certa vez a ninfa citou para o Duende que gostava da maneira como o fauno girava, mas o duende a olhou como se estivesse encarando uma potencial inimiga e disse :
- Ele é MEU passado enamorado- colocando bastante ênfase no MEU.

Naquela dia, aquela ninfa ficou muito triste, não queria magoar seu amigo duende contando como se sentia, sentia a impotência de não poder lutar pelo o que seu coração clamava, e se submeteu ao bom senso de uma boa amizade, mesmo sendo com uma duende sem coração, e egoísta como aquele, a qual quer todos  para eles, para que caso uma paixão não floresça, tenha uma “caixa de reserva” , fazendo o possível para que os seus permaneçam sozinhos e desimpedidos para ele, para manter a sua postura de poder e sua falsa autoestima, para assim esconder o seu medo da solidão e carência.

O que resta da Ninfa agora?
Apenas se submeter forçadamente as dores de um coração dilacerado.